Decorando com as próprias mãos

Assim que a porta desse apartamento se abre, já dá para perceber o quanto ele foi construído com carinho. Quem dá as boas-vindas é a editora de livros Isadora Attab e o linguista Bruno Guide, seguidos pelos três gatinhos do casal que aos poucos saem de seus esconderijos para receber as visitas. Sem reformas mirabolantes ou móveis caríssimos, o apê tem uma decoração simples, mas muito acolhedora e com a cara dos moradores. Aliás, eles realmente colocaram a mão na massa para deixar o espaço do jeitinho que queriam. “Como tudo o que a gente faz por aqui é feito literalmente pelas nossas próprias mãos, não fizemos nada muito drástico, mas sempre estamos inventando alguma coisa. Quando a casa está muito igual, a gente descobre algo novo”, Isa fala.

Quando o casal comprou o imóvel de 80m² ele estava bem judiado, com uma parede de cada cor e nada combinando com nada, então a primeira coisa que Isa e Bruno fizeram foi pintar tudo de branco. “Preferimos deixar o apartamento ‘zerado’, para ir pensando aos poucos no que poderíamos fazer. Hoje nem todas as paredes são brancas, e a cozinha e o banheiro ainda precisam de uma reforma, mas uma hora rola”. Uma das mudanças mais legais feitas pelos moradores é a parede com efeito de cimento queimado – depois de pesquisar bastante, eles viram que poderiam pintar sozinhos, então compraram os materiais e fizeram tudo durante algumas noites depois do trabalho.

Isa e Bruno estão sempre mudando as coisas de lugar ou testando novos usos para os mesmos objetos. “Para nós, a casa tem que ter a nossa cara, e a gente não tem a mesma cara o tempo todo, né?”, ela diz. Apesar de buscar referências no Pinterest, no Instagram e em blogs de decoração, o casal também aprende com o dia a dia a enxergar o que funciona e o que não funciona para eles – tudo para que seu lar seja cada vez mais aconchegante e autêntico. De fato, cada mínimo detalhe parece ter uma história especial ou guardar alguma lembrança, como a estante da sala, garimpada em uma lojinha na Av. São João, ou a máquina de escrever herdada do pai de Isadora.

O estilo do casal é bem parecido, por isso a decoração acaba refletindo o gosto dos dois, porém enquanto Isa é mais apegada aos detalhes e à parte estética, Bruno se preocupa também com a funcionalidade – é ele quem lembra que as coisas precisam ser possíveis e fáceis de cuidar no dia a dia. A prateleira de plantas acima do sofá, por exemplo, foi instalada em uma altura que permite que ele regue os vasos sem precisar de uma escada.

Apaixonados por plantas, eles só sentiram que a casa estava realmente completa quando começaram a rechear os espaços com espécies de todos os tipos e cores. “A sala é o nosso jardim. O apartamento já estava mais ou menos pronto e faltava alguma coisa, até a gente perceber que essa coisa eram as plantinhas mesmo. É outra sensação ter um monte de verde em casa”.

3 ideias de faça você mesmo

* Parede de cimento queimado: Como comentamos acima, quem pintou a parede com esse efeito foram os próprios moradores, usando uma massa específica e desempenadeiras. “Foram noites passando demãos e demãos da bendita da massa na parede, tentando evitar que os gatos ficassem inteiros cimentados, tentando não sujar o restante da casa com isso… Deu uma trabalheira, mas além de infinitamente mais barato, é uma das nossas histórias mais gostosas de lembrar”, Isa diz. Como esse acabamento é naturalmente irregular, as pequenas imperfeições passam batido.

* Prateleira de plantas sobre o sofá: “Como não tínhamos mais lugar para colocar vasos na sala, a gente descobriu um novo. Compramos 2 tábuas de pinus na madeireira perto de casa, mãos-francesas e furadeira, e durante o horário de almoço de uma terça-feira qualquer, mudamos a sala”, eles explicam. Se você quiser fazer algo parecido, vale a pena analisar como seriam feitas as regas, ou de repente usar espécies que não exijam mais de uma rega por semana.

* Cabeceira estofada no quarto: Usando materiais bem simples, Isadora montou sozinha a cabeceira da cama. “Em uma passadinha despretensiosa na rua 25 de Março acabamos encontrando esse tecido maravilhoso, que certamente teria alguma utilidade um dia. E a utilidade surgiu: com uma placa de MDF, um pedaço de manta acrílica e um grampeador de tecidos, criamos uma cabeceira personalizada”.