Decoração com improviso e boas ideias

O que você faria se precisasse mudar de cidade ou de país de uma hora para outra? Conseguiria deixar a casa, os quadros e os móveis para trás? Para a diretora de arte francesa Solenn Robic e o designer gráfico Gabriel Finotti, mudar totalmente de rumo sempre foi uma possibilidade, e por isso mesmo eles aprenderam a desapegar dos espaços e das coisas.  O casal se conheceu em Londres, mas hoje vive em um apartamento alugado na Vila Madalena – e a decoração, apesar de ter muitos detalhes pessoais, também demonstra esse conceito de ‘lar temporário’.

“Construímos nosso lar com muito cuidado para poder desapagar dele de um dia para o outro se preciso. Somos fãs de design, de objetos, de detalhes, de móveis antigos e modernos, mas com certeza essa ideia de mudar a qualquer momento nos impõe alguns limites. A maior vantagem é a sensação de liberdade que temos. Ao final, não precisamos de muitas coisas, nosso maior luxo é viajar”, Solenn diz.

Gabriel explica que o investimento na decoração foi baixo, porém isso não quer dizer que eles abriram mão de ter coisas bonitas. “Como designer, aprendi a gostar do que é funcional e essencial, me livrando de excessos, mas isso não significa um ambiente sem sal e impessoal. Para mim, a beleza é fundamental para o nosso bem-estar, por isso tendo a gostar do que é mais atemporal”. Metade dos móveis veio do antigo apartamento do casal, que também foi decorado com o mínimo de gastos, e a outra metade foi comprada em bazares ou lojas mais em conta. Até os eletrodomésticos vieram de um saldão de peças com pequenas avarias. “Investimos de fato em livros e arte, que amamos de verdade”, ele completa.

Algumas peças carregam memórias afetivas, como as cadeiras antigas da mesa de jantar e os banquinhos do designer Carlos Motta – ambos são heranças da mãe de Gabriel e estão na lista dos móveis que eles mais gostam. Solenn adora a história da estante de madeira da sala, comprada no ateliê de uma senhora que estava se mudando e vendeu absolutamente tudo. “Ficamos um sábado conversando com ela e no fim compramos plantas, pratos e a estante. É outro tipo de herança, mas me agrada também. Mas minhas peças mais queridas são os bordados da minha amiga Ophélie, que ficam no corredor que leva aos quartos”.

“Nossa casa reflete muito as nossas diferenças. Estamos sempre entre duas culturas, dois países, duas partes do mundo completamente distintas. O Gabriel é mais quadradinho, gosta de ambientes minimalistas e de que tudo esteja no lugar certo. E ele ama colecionar, o que se reflete bastante no apartamento: temos centenas de livros e CDs, por exemplo. Eu gosto mais de coisas antigas, carregadas de história, já usadas e com detalhes que me encantam. E sou um pouco bagunceira mesmo. A gente é bem diferente nesse aspecto, mas com o tempo fomos achando um meio-termo e cada um conseguiu colocar um pouco do seu gosto na casa”, Solenn conta.

3 ideias para não gastar muito com móveis

* Rack feito de pallets: Desde o início a ideia do casal era não gastar muito na decoração do apê, então eles procuraram soluções criativas para economizar na hora de comprar os móveis. O rack da TV, por exemplo, foi feito com dois pallets empilhados e só. Se você não gosta de deixar os fios do aparelho à mostra como eles deixaram, uma saída é pintar a parede de preto para camuflar.

* Banco como aparador: Ao lado da mesa de jantar, o banco de madeira clarinha funciona como um aparador para quadros, livros e plantas no dia a dia. Porém, caso o casal esteja recebendo muitos amigos, o móvel pode ser liberado rapidamente para acomodar mais convidados.

* Carrinho como mesa lateral e adega: Um carrinho, muitas funções. Posicionado na lateral do sofá, o móvel serve de apoio e também como bar. O casal usou tijolos empilháveis de adega para criar um suporte para as garrafas de bebida e o resultado ficou bem divertido e prático.